4.7.09

Dance

Ela espirrou tão graciosamente que ventou.
Ventou tão forte que levantou a saia dela.
Um frio na espinha.
Ela girou, sorrindo.
Eu, boquiaberto, penetrei seus olhos.

Sonhei, sonhei que ela estava por aqui.
Sonhei, mas foi apenas um sonho.

Seus olhos me penetraram. Senti-me nú, descoberto.
Não era apenas um sonho.
Era mais do que isso.
Era apenas uma dança.
Só isso.

O ventou gelou meus dedos e meu pé.

3.7.09

Cara-metade.

Subi.
E quando cheguei lá em cima, me perguntei.
Me respondi.
Suspirei com minha própria resposta.
Me fiz um pedido.
Topei.
Dei as mãos comigo mesmo.
Agarrei-me pela cintura.
Dei-me um beijo.
Chorei.

Às vezes confundo ela comigo mesmo.

30.6.09

MobBrasil: Mob da Solidão Coletiva

Queridos Leitores
Essa semana, na PUC, a Didi Wagner passou por lá fazendo umas entrevistas, e eu fui convocado pra participar de um Flash Mob feito pelo programa novo dela, que vai lançar em 30/07 no Multishow!
Enfim, dia 8 (quarta) eu to organizando o FlashMob com a Didi Wagner e o Multishow, vamos pra Estação da Luz às 2 horas da tarde!
Vamos dançar com óculos escuros, pra tirar as pessoas da solidão e juntar-se à nossa solidão coletiva!


Chamem todo mundo!
Quanto mais gente, melhor!

Mais informações:
http://mobdasolidaocoletiva.blogspot.com
http://mobdasolidaocoletiva.wordpress.com
http://multishow.globo.com/Novos-programas/Didi-mobiliza-geral-em-novo-programa-no-Multishow.html

28.6.09

Coragem

No meio dos troncos enormes, jaz uma penumbra acinzentada que cobre com densidade a mata verde, agora quase negra, onde permeiam os passos daqueles jovens aterrorizados e perdidos. O céu enegrecido pelas nuvens à chover grita enfurecido, ameaça a todos com frio e humidade, mas ainda não derruba-se sobre a região; Espera os seres entrarem no verdadeiro desespero, dentro daquele ambiente sombrio. O coração bate forte no peito, as mãos latejam enquanto seguram, cada um, uma lanterna e a alça da mochila. A lua tenta ajudar pelas mínimas frestas entre as árvores, mas é fraca perante a opacidade do medo e do terror.

Respiram friamente, enquanto navegam pela tempestade em direção a um rio desaparecido em busca de água e comida. Os jovens não mais esperam pela ajuda, tornaram-se eles mesmos a própria. Livres, fogem do terror que se aproxima: a morte.

Mas eles sabem que a morte aparece de repente.
Mas nunca sabem se o são seus passos que ouvem, ou se é a morte aproximando-se para cumprimentá-los.

O vazio no estômago é mais forte que o vazio que o medo traz; Essa é uma luta quase infinita. Só cessa quando mata-se a fome, vence o vazio do medo.

24.6.09

Retificações

Apenas retificando que eu consegui arranjar um jeito de fazer os mostradores aparecerem aí em baixo, e que agora, finalmente, vocês podem me dizer se gostaram ou não dos poemas, e apenas comentar algo a mais a dizer (que, certamente, eu prefiro)
Ah, também consegui mudar o layout pra ficar adequado a cada tipo de monitor, coisa que antes eu não tinha conseguido aprender, hoje, como tudo que sei em html, aprendi na marra (O""""famigerado""""" apaga-e-vê-o-que-acontece, hahaha)
Ah, e eu estava lendo meus posts antigos**, agora também alterados na maneira de exibição (assim como alguns outros fatores do blog) e relembrando meus bons tempos... É engraçado ver os posts "dia-a-dia", que relatam basicamente minha vida inteira*, até meados de 2007, quando comecei a representar minha vida em poemas e textos, e não mais apenas diários de bordo, que foram entrando em extinção, até o presente momento, quando reavivo as maneiras diretas de dizer verdades, sem ficar enfeitando-as com rimas bonitas, textos sonóricos e metáforas quase-sempre indecifráveis (das quais me orgulho muito =) )
Vale a pena procurar o passado de um blog às vezes, quando não se tem o que fazer (O que certamente não deveria ser o meu caso. Mas eu fingo que é.) tem muitos poemas bons (modéstia à parte) e alguns textos legais dos quais me orgulho muito, e quase não acredito que realmente fui eu que escrevi, nem lembro daonde tirei inspiração. (até alguns que eu já esqueci os verdadeiros significados das metáforas, e que são tão louco pra mim quanto pra vocês.)
Bem, não sei se acostumem muito com diários por aqui, não tenho muitos interesses e colocá-los neste blog. Decidí pouco tempo atrás que ele será uma compilação atualizada diariamente de quase toda minha "extensa" obra literária (uns 200 poemas e uns 70 textos compreendíveis), guardando poucos e bons para a caneta e as partes não usadas dos infindáveis textos de xerox que a mim pertencem.
Enfim, pra quem quiser, a leitura dos poemas e dos textos pode ser muito interessante. Quem não quiser... Azar... (pra quem nao está afim de procurar textos "bons" eu cheguei a começar a classificar alguns dos bons textos nos marcadores championship, e no Enigmas e Bom de ler, mas não consegui nem vasculhar um quarto dos infindáveis quase 300 textos já postados neste blog e muitos deles vão se repetir, portanto, retifico novamente que, pra quem quer saber, talvez valha a pena procurar nos fundos desta bibliotéca misti-uguística algo que talvez possa ser bom, e interessante.
Lembro-vos novamente que grande parte dos poemas estão cifrados em metáforas que vocês provavelmente não vão entender. E, parte interessante de ler poemas, é tentar elaborar teorias sobre o pensamento do autor no momento, etc, etc etc.
Chega de falação! Boa leitura à todos, e bom fim de semestre. Nós vemos nas próximas semanas de férias!

*Pra quem quiser saber MAIS sobre minha vida (não vejo porque nem como, mas sei lá, né) O meu antigo Blog ainda está online. O UOL não permite mais que eu altere ele, impedindo-me de pegar meus antigos posts e os seus comentários, mas está lá, intacto, há muito tempo, ironicamente, da maneira como um "lar de vampiros" costuma estar: às moscas, com muita teia de aranha e coisas velhas.

**Este Blog faz 3 anos dia 8 de agosto, mas somando com os posts do Blog anterior, eu tenho já 4 anos e um mês de blogueiro. Parece muito? Pra mim parece...

23.6.09

Recapitulação*

Olá leitores reitores. Venho cá escrever-lhes um conto sobre um casal (ou descasal). Esses amores indolores, os quais guardo no peito, que me florecem, que envelhecem a pele e que me fizeram nunca contar tais feitos. É a despeito da antiga sinestesia da vida que causava a azia que eu sentia nesse cais de angústias, mas não mais. Escrevê-lo é a nova anestesia, que põe em prova minha resistência ao amor, que escova minha essência de pudor e que planta em mim uma hortênsia de prudência e castidade, demência e loucura.
O que conto a vocês é uma antiga história que me intriga. Um conto de uma estranha liga entre dois enamorados, uma quase cantiga, que investiga as intrigas desse humilde casal apaixonado; minto, pois a cantiga conta apenas do amor da rapariga e da ausência do distinto citado.
A história começa pelo meio; Não vejo o por quê desse anseio pelo começo, pois escrevo como me veio, ao avesso. É assim que teço os pontos; agradeçam-me com o que lhes presenteio.
É em noites escuras como a de hoje que a garota procurava a mistura da ternura mão de um companheiro e a loucura da relação dura de seus destinos. Um andar fino, que acompanha um hino amoroso, cantado pelo gostoso luar preguiçoso e sinuoso na calçada, nas portas fechadas, nessa madrugada de domingo. Juro que a via, todo dia, perto da viela, com uma saia-cinderela, na cabeça uma fivela cor-de-rosa, brilhando no escuro da noitela, sob chuva e frio. Sob um guarda-chuva cor de uva, branquela que só ela, segurando uma vela meio turva, na curva do rio, esperando sozinha, seu amor fútil, mas sutil. Parecia-lhe útil, mas para si, inútil funil de solidão e espera.
A lua lhe acompanha, nessa canção que a todos acanha, nessa façanha de quimera, árvore de primavera da qual apanha desfrutos; Ela tolera, ao som do farfalhar dos galhos, do olhar sombrio da janela, obscuro o bastante para encalhar o escuro brilhar dela, em um vazio de um vaso, que, ao invés de vazar, visa avisar o vil rapaz, que assaz pensa na donzela e que jamais receberá seu aviso. Com seus seios fartos, meio tortos, sob vestes curtas, furta dos olhos de que vê o conforto e a vontade de viver. Seu olhar morto, absorto em desespero, em espera pela fera, que há eras lhe prometera seu amor. Amor esse incolor de um ator fajuto, que queima a dor e o ardor da linda pétala de flor, que tremelhica na friagem e estica sua ausência mais um pouquinho. Justifica sua trágica aventura com o dinheiro do companheiro; Mágica maneira de encobrir das galinhas o milho; das andorinhas o vento; ou seja, das vizinhas, o empecilho fofoquento.
Soube que o tal rapaz vil, é um tal de capataz da marinha e que faz procuras no mundo molhado, loucuras para um jovem de coração acorrentado; um faisão amamentado por uma farta e dengosa amada. Na confusão do capitão, o capataz desolado foi enviado em missão de suicídio; ou seja, procurar e encontrar náufragos no Estreito dos Mortos, onde só há... Mortos. Ou seja, desafiar a realidade, estreitar-se entre rochedos e correntezas; deitar-se no leito da morte, deixar seus feitos à sorte, morte sem defesa, sem tristeza, sem pratos à mesa. A ausência de comida lhe levou à demência sucumbida. Naufragaram e desapareceram; Enlouqueceram, ele e seus companheiros, ilhados em algum lugar desconhecido.
Mas a verdade é sã e vã; nada acontece por acaso. Não, a donzela que tece o casaco de lã à mão para o cão amado; tão em vão, coitada; nem sabe que está ilhada, e que a cada fio que cruza, mais ele sobe na escada de liberdade, para a entrada e/ou saída de sua vida caída. Esquecida como é, trabalha investida em um futuro inexistente; costurando os furos em sua vida e os duros dias de trabalho, com imaginação e escura união do amor e solidão. Tarde ela vê que é a vez de vagar sem rumo noite à dentro, sem um trago de fumo para ajudar nesse vago dia de consumo de seu coração. Nessas minhas caminhadas em noites caladas, encontro a moça sentada, ou de pé, parada, esperando, olhando o infinito, deslumbrada pelo acontecimento que nunca veio. Essa amada jamais derrubada pelas estradas arruinadas que a vida dá, que o amor dá. Essa fada mal amada, atada nos trilhos de um trem, torturada pela vontade de ser atropelada, mas ele nunca vem, nunca passa.
Mas saudade sempre volta, desgraça. Às vezes acho que é trapaça; Às vezes parece que passa. Mesmo assim, não há nada que faça ela parar de voltar; sempre lhe acompanha um comparsa, que cedo ou tarde, envolve nosso enredo com medo e angústia, e a vontade de voltar cedo pra casa. Mas, sozinho eu chego em casa, com medo da brasa da lareira que acendi quando saí, Esse sentimento azedo, que nos faz de brinquedo, que nos leva pro quintal, nos pendura no varal e nos faz lembrar a roupa suja de curral que precisa ser lavada. Esse medo injusto que desvenda a saudade que escondi a todo custo, saudade da história de maldade e crueldade com uma bonita senhorita, não mais tão “ita” assim. Escrevi em um caderno o que vi naquelas noites; um inferno sombrio e triste; noites de inverno, revestidas de um ar moderno, mas romântico.
Esses amores indoleres, os quais guardo no peito...

*esta é uma reunião de uns 10 pedaços de textos mais ou menos alterados para se encaixarem em uma história mais ou menos consisa, escritos muito tempo atrás, mas encontrados no meio da confusão da minha pasta pessoal.

22.6.09

Surdo

Quandoa s batidas do surdo eram mais fortes que meu coração, as vibrações simulavam um amor platônico, daqueles que se lê em poemas. Estou acostumado a sentir meu coração vibrar meus membros, meus dedos, mas não daquele jeito.
E eu imaginava há quanto tempo você é linda, mas não encontrei resposta. Os harmônicos soavam na melodia forte e dominavam meu corpo. Não era mais eu; era o som. E vocês passavam pela minha cabeça, e você me lembra as outras. Não tenha ciúme, pois você é todas as outras em uma.
Eis que diz o velho ditado: A última paixão é sempre pra sempre.

Sopros Nobres

Entram os sopros nobres pela fresta da janela fechada. Janela esta de madeira podre, que segura vento algum e que permite os assovios sombrios adentrarem os frios humbrais onde ticam os relógios, mas não se ouve. Não se ouve, pois os ventos sagrados que lá de fora buscam-me, mais e mais invadem este meu terreno pobre de calor. Estes sórdidos zumbidos, fantasmas ilúcidos que procuram minha mente agonizante neste universo profundo dos números soltos por cima da escrivaninha. Estes monstros que não permitem-me dialogar com estes símbolos misteriosos, mágicos e profanos. Símbolos estes estranhos aos olhos ignóticos de um homem já velho, sentado em seu aposento escuro, que delicia-se com uma caneca de leite morno achocolatado, também conhecido como "chá dos tempos modernos", e observa uma vela acesa sobre os papéis amassados e rabiscados por outrém.
Enquanto todos dormem, ele aproveita dos assovios nobres a mais bela sinfonia, que no caos de seu espaço sagrado, organiza os pensamentos caóticos.
Os ventos não vão ao norte; Os ventos são os Deuses do pensamento. Eles buscam o conhecimento e a sabedoria daqueles que têm, e invejam aqueles que conseguem. Os ventos assoviam as respostas nos ouvidos daqueles que os invejam, e dão motivo aos suspiros daqueles que precisam. Os ventos retribuem com ciúme àqueles que respiram, mas respeitam os que não.
Sentado na poltrona barulhenta, ele pensa. A fumaça da caneca penetra suas enormes narinas, enquanto a chama da vela dança o musical, entre números, letras e sopros.

18.6.09

Canto atônico

Por entre cantos
Grades não existem,
Paredes não existem;
Santos, não existem.

No fundo da poça d'água
Existe um chão.
O carro passa e molha a gente.
Ninguém mais se importa com o chão.

Os ventos sopram
Pro entre cantos
Espremidos e estreitos.
Não sopram norte.

O suco acaba
E o canudo faz barulho.
O copo está cheio
E o canudo faz bolhas.
A mãe sempre reclama,
O filho sempre se rebela.

O vidro fechado
Faz sons com o vento.
O canto sagrado
Soa no silêncio da noite.

O canto é escuro
E cheio de segredos.
Ouço um sí trítono?
Não.

Esse canto de todos
Expurga-nos.
Incomoda alguns tolos,
E outros nem tanto.

14.6.09

Esboço

Quando um singelo piscar é lançado contra mim
Pereço neste espaço vazio do submundo moderno.
Eu gelo quando vejo um amar caindo e chegando a um fim
Eu mereço mais que um abraço frio neste inverno.

Essas palavras de apelo caloroso
Que me provocam a sublimar:
Meus olhos sobrevoam esperançosos
Teu mar, em busca de destroços
De um antigo navio a naufragar

Onde estás, Eva?
Quando tirar-me-á da treva?

Comentários

Concordo Yuri, concordo Tito, concordo Charles. Bem, acho que entendi o posicionamento político, e bem, me parece suficiente posicionar-me, como estudante, perante os absurdos que acontecem conosco, de maneira crítica, e dialogar com todos para entender as coisas que acontecem. Existe, hoje, uma cisão muito grande na comunicação entre os estudantes da USP e da PUC, que hoje sofrem de mesmos maus: A falta de comunicação entre gestores e geridos, a falta de interesse dos geridos na gestão e a perda das informações através dos meios de comunicação. Muitas das coisas que aconteceram na USP estão completamente distorcidas pela mídia, e o mesmo se dá na PUC. Falta uma unificação entre os estudantes das duas melhores universidades de São Paulo, ou com maior força política, ao menos.
Ou com maior histórico de força política.
Como fazer pessoas (como eu), que não tem o menor interesse em fazer outra coisa além de graduar-me, a perceber a importância dos absurdos ocorridos? Seria justo "forçar" essas pessoas a se interessar por "política"?

Charles, lembrei-me hoje que quando citei os gregos, pensei em você, e tinha certeza que ia tocar-te, até por que, eu tinha certeza que você não ia gostar. Mas citei mesmo assim, como reforçador do discurso. Da próxima vez, evitarei repetir, ok?

13.6.09

Em épocas de romantismo financeiro...

"...Os amores de verão terminam por varias razões, mas no fundo todos tem uma coisa em comum: são estrelas cadentes, um momento espetacular de luz nos céus, um vislumbre passageiro da eternidade e num segundo desaparecem..."

(Diários de uma Paixão)

Assim, qualquer mínimo relance nos leva aos melhores momentos de nossa vida.
E aos melhores momentos de nossa vida, me remeto aos amores de verão.
Quando chega o inverno, a gente fica saudoso...

10.6.09

Cegos X Cegos (USP X PM)

Estou escrevendo esse escrito como revolta. Depois de ficar sabendo, demasiado tarde, do tamanho absurdo que ocorrera ontem, na Universidade de São Paulo, fiquei perplexo em ver uma sociedade corrompida, moralmente. O erro não é de um, nem de outros. Todos erraram ontem, erraram muito; Lembra penaltis em segunda divisão...

Não é direito dos protestantes fecharem ruas, se é que o fizeram, e impedirem a passagem de quem não tem nada a ver com a universidade, pois a Universidade é também de quem não estuda lá, de nós, do povo. Na Universidade há ruas e avenidas que são aproveitadas pela cidade inteira como acesso, absurdo. Já é sabido que várias manifestações hoje em dia, quando não são ouvidas, atentam à atitudes inapropriadas como esta.
Não é direito da polícia de adentrar uma Universidade construída com o intuito de promover comunicação entre seres humanos. Essa época passou há muito tempo. Estudantes desarmados, frente a um batalhão absurdamente armado, correndo.
Não é direito da população ficar parada frente à tantas cenas absurdas, com professores lembrando aos velhos detempos e PASSADOS de ditatura militar. Não é direito de ninguém ser impossibilitado de andar pela faculdade sem ter que desviar de bombas de gás lacrimogêneo ou balas de borracha (ao menos de borracha!?)
Não é direito de uma Reitoria abrir mão do DEVER da própria instituição, chamar os mesmo policiais que matam bandidos, massacrar moralmente, (a princípio era só moralmente, suponho), estudantes universitários, professores e funcionários, a quem lhes é dada a palavra, mas não escutada. Essa Reitoria tem o DEVER de promover comunicação pacífica, permitir que ambos os lados sejam esclarecidos; Mas a Diretora esclarece que não está por dentro dos novos tempos de comunicação. Além, permitiu policiais escracharem a todos e qualquer um que estivesse na rua, que das milhares de pessoas que estudam lá, só uma pequena parte fazia parte do protesto. E dessa pequena parte, só uns 10 ou 20 mereciam porrada. Dez ou vinte pessoas, que possivelmente quebraram uma ou outra regra de confronto, talvez empurrado um policial, não merece tomar nada além de cacetete; Perseguição com bombas de efeito moral?! Com que sentido?! Sentido nenhum!

A polícia, os estudantes, as pessoas, a reitoria, eu, vocês leitores, todos, todos cegos. Cegos pois nossa estrutura política não nos dá o direito de ver, direito de comunicação; estamos presos na nossa sociedade, sem direito de ação! A sociedade está presa à si mesma; a estrutura está tão rígida que não permite mudanças, mas tão corrompida que permite que os cupins roubem nosso dinheiro, sem que nada possamos fazer! Que pode fazer uma sociedade contra uma barbárie dessas? Estamos todos tão ocupados com nossa vida, trabalhando uns, estudando outros, se divertindo ainda outros, enquanto se passam situações dessas, e NADA podemos fazer! Na grécia antiga, não havia necessidade de greve. Na grécia antiga, os criadores da democracia, não havia sentido em militares atacarem gente da própria nacionalidade. Achamos-nos mais evoluídos que os gregos, por não termos mais escravos, mas certo estavam eles. Enquanto na época deles poucos eram escravos, hoje somos todos. Todos, todos escravos, trabalhando e estudando em um mundo sem motivo e sem sentido. Todos parados, sem poder, frente ao nosso próprio governo, construído pelas gerações e gerações trabalhadoras, e gerações pensadoras. Não falo de uma Socialização do Brasil, Falo de uma Reestruturação Moral, Ética, Política e Social. Sem isso, vamos continuar andando em círculos. Mais e mais medidas provisórias, tais como Cotas para negros, vão ser acrescidas a um estatuto decaído, um estatuto derrotado por si mesmo. Precisamos de reformas! Não é reforma agrária, não é reforma educacional, não é reforma de previdência. É Reforma GERAL! Quando um prédio está em ruínas, ele é derrubado e outro é construído em seu lugar. Há mais de 500 anos estamos com um prédio em ruínas, e ninguém se mobiliza a reformá-lo! Precisamos de uma estrutura política diferente. Dá atual só sobrou carcaça, da qual aproveitam-se as hienas do palácio do governo, que nós mandamos para lá.
Que fazemos contra tal absurdo!? Eu tenho compaixão pelos meus colegas estudantes da USP. Se tivesse tido conhecimento do ocorrido de ontem, sem dúvida estaria lá, tentando salvar meus colegas da guerra unilateral travada pela Polícia Militar. Não é culpa dos políciais, não é culpa dos estudantes, não é culpa da Reitoria. É culpa de todos! A culpa é minha e é sua também! Como podemos permitir que ocorram tais fatos, sem nada a fazer? QUE FAZER? Eu estou com minha criatividade em baixa, tudo que posso fazer a respeito, é escrever este e-mail, mandar esta carta a quem estiver disposto a ler.Todos temos desculpas para não fazer nada, e é isso que me assusta. Estamos todos desculpados, mas as barbárias ainda acontecem em nossos nomes. O que podemos fazer? Alguma coisa há de ser feita, pensada, e trabalhada. Não precisamos de partidos políticos, precisamos de todos e qualquer um que esteja disposto a reestruturar uma sociedade destituída de sua capacidade primária, que é ser democrática e promover a comunicação entre as pessoas. Não há comunicação, como podemos nos dizer civilizados?

Solidariedade aos colegas
Ugo Bruzadin Nunes
Repasse esse e-mail a quem quiser, se quiser.

Abaixo, passo links de verdadeiros depoimentos de quem estava lá no meio, dos estudantes/protestantes/professores.

http://nossosvinteanos.blogspot.com/2009/06/conflito-no-campus-bombas-e-tiros-nas.html
http://nossosvinteanos.blogspot.com/2009/06/relato-prof-dr-pablo-ortellado.html
http://nossosvinteanos.blogspot.com/2009/06/relato-rodrigo-chiquetto-aluno.html
http://nossosvinteanos.blogspot.com/2009/06/relato-jacqueline-aluna.html
http://nossosvinteanos.blogspot.com/2009/06/relato-professor-rogerio-monteiro-de.html
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u578854.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/folha/educacao/ult305u579062.shtml
http://www1.folha.uol.com.br/folha/podcasts/ult10065u579015.shtml

8.6.09

Querido Diário

Estou LO-TA-DO de coisas pra fazer.
Penso eu: Tenho que ler um texto de psicanálise para amanhã.
Quando eu pego a ficha, tudo se transforma em saudade e memória:

Conferência XXXV

A questão da Weltanschauung*

Senhoras e senhores:

[...]

*[Essa palavra pode ser traduzida como 'uma visão do universo'. mas o próprio Freud explica seu significado no segundo parágrafo[...]]

4.6.09

Liberos

Neste mundo sob teus pés
Vive uma jovem sorridente
Neste mundo sob teus pés,
Vivo sob chuva quente.

No inverno dos corações sombrios
O vento leva da solidão, o amor.
Estes teus braços frios
Tiram da minha seiva o calor.

Quem dera novamente a lareira quente
Dos teus olhos sob domínio de serpente?
Quem dera que ti, amada adolescente,
Pudesse soltar os laços de minha mente?

Esfrias-me com ausênsia
Liberta-me num mundo de prisões
Libertar é tua essência,
Partes o domínio dos corações.

Singela, sábia e sublime;
Solteira, sensual e sagaz;
Sobrevive de perfume
E de lágrimas de água ráz.

Diálogos

"Tu és um cara fechado, duro. Mas quando pedem pra agir, você faz, é muito interessante, né?"
"Serio mesmo?" Pensei, feliz. "É," respondi, "É de propósito".
Meu ego sorriu com cara de objetivo cumprido.

:

"Ei, Ugo!" Virei o rosto para ver aquele lindo rosto novamente, que ainda por cima clamava meu nome. Sorri, esperando algo romântico. "Você esqueceu seu cachecol! É seu, né?!" 
"Ah! É sim! Obrigado," - percebam que dessa vez eu não disse "Eu te amo" por que sinseramente essa palavra deveria significar muito mais para aqueles olhos negros que fumam. "É meu sim... Mariana. Valeu mesmo, ele é muito importante pra mim." E sorri, pensando: Mais romântico, impossível.

:

"Então, você está propondo uma fragmentação do infinito?"
"É," respondi, "Exatamente isso."
...


"Isso que você está falando é rídiculo, é absurdo. No máximo existem aqueles caras lá, entortadores de colheres." Disse ele.
"É, exatamente, aquela cena, que o garoto fala 'Não existe colher; Para entortar a colher, você precisa entortar você mesmo'", repondi.
"É..." Cautelosamente, ele disse, sorrindo, "Essa cena é foda..."
(comentários no fundo: 'Agora você concorda?' 'Ah, com isso você concorda')
"É... Essa cena é foda..."...

25.5.09

Donzela do tempo

Do tempo em que em ti pensava
Dos tempos amados passados
Dos tempos que minha mente te cativava
És donzela de um tempo recém chegado
De um tempo prolongado.

De um tempo quiçá desvelado
no teu olhar assombriado.

24.5.09

A Phoenix Morreu

Em vista dos seus planos
Tudo há de afundar.
Os mundos urbanos,
E tudo daquele lugar.

Quando você viajar,
Esses pensamentos humanos
Irão destruir o linguajar.
As idéias que hoje fluem
de pensamentos mundanos
Resolvem a equação, concluem,
Como um rajar.

Você, humano sombrio,
Sabe teu destino.
É comer a comida do prato frio,
Um prato deveras fino.

Teu saber corrói a humanidade,
Tua vida desboca num vale profundo.
Teu medo faz que te sujes de promiscuidade
E te lambes, achando te limpar de algo imundo.

Essa vontade que tu tens de fugir,
Desses planos lodosos e limosos,
É por que foges daquilo que fizeste rugir;
É por que verteste os líquidos viscosos.

Fujas, fujas preste mundo que te persegue,
Não almeje nenhum tipo de sofrimento.
Esses planos que tua mente segue
São papéis jogados ao vento.

Esse sofrimento que te amedronta
Essa solidão que tu enfrentas
Essa rouquidão que te confronta
Dia-a-dia, sempre que tu tentas;

Sempre que tu tentas falar,
sempre que tentas reagir
Sempre que tu vês amar
o antigo amor que abandonaste a autofagir.

A resposta não vem com o vento
A resposta não vem com o amor
Da resposta, estás isento
Da resposta resta apenas o calor.

Divagarás por esse mundo, perplexo
Sem caminho a trilhar
Não, tu pensas, nada tem nexo
O poeta continua a te humilhar.

Essa angústia em ti presente
Essa angústia a te calar
Essa angústia é o medo do ausente
Do calor materno a te acalmar

Que esperas de um mundo como este?
Um poeta chame-te por "vós"
Um poeta declama-te em voz
Uma realidade clara que escureceste.

Os sintomas continuarão a surgir
Dores de cabeça, gripes, virus
Tirar-te do real à regurgir;
Tudo que vomitar para os gabirus
Tudo irá para os papiros.

Tua mente há de explodir
Teu corpo não comporta teus limites
Voa, ovo a eclodir
Voa pra que teu coração palpite

Não seguirás ileso esse caminho que caminhas.
Mesmo que vejas a curva do rio
Mesmo que sinta as tortas linhas a fio
Inudarás-te de sangue faunoso e frio.

Que fim hei de chegar, leitores?
Mesmo que tentasse ser cuidadoso
Chegaria aos mesmos valores
O mundo é cruel e perigoso
Não é qualquer um que se verte aos amores,
Não é qualquer um que se cega sem corpo rugoso
Não é qualquer um que sorri com as dores
Não é qualquer um que não fica raivoso
Com a falta de cores do mundo poroso.

Se basta pra ti sorrir ao belo carnal
É o que basta pra um poeta dizer-te:
A ânsia pelo sexo plural
É ânsia pura, tua maneira de viver-te.

Que angústia é essa que domina-te?
Ela passa?

23.5.09

Dos poetas, aos leitores

Antigamente, boemia e poemia eram sinonimos. Hoje, não mais. Há algum tempo, os sábios poetas tem se distanciado cada vez mais dessa lugar chamado buteco, e se adentrado cada vez mais nas silhuetas da sociedade. Aonde você vê uma interrogação, há um poeta por trás. Sim, dentro de todos os grupos sociais, existe um poeta. Pois, poemia é um papel social importante: alguém tem que observar as situações, e alguém tem que contar pros outros o ponto de vista do universo, e de todos. Alguém tem que amar inegavelmente uma pessoa, mesmo que apenas por algumas linhas.

Somos nós, poetas, que temos que usar a consciência com cuidado, pois é a nós que cabe o papel do cuidador. É o poeta aquele cara que sabe como cuidar de um bêbado, e é ele quem dá as indicações de como fazê-lo. Porém, um poeta é raramente visto em ação. Poetas tendem a ser introvertidos, a mordiscar e mastigar seus poemas com cautela, e prazer, sozinhos. Porém, algumas raridades dentre eles, publicam suas obras e expõe suas idéias ao público, e estes seriam os extrovertidos. Os blogs ajudaram muito nisso: a exposição das idéias aos colegas, amigos, imprensa, extraterrestres com sinal wi-fi, etc. Todos tem acesso aos conteudos internos de um sujeito sombrio que escreve sobre a vida alheia e sobra uma paixão aguda.

Aos poetas cabe a dignificação da vida e sua apresentação, de maneira bela. Usar-se de rimas e elocubrações difíceis, palavras complicadas, neologismos e linguagens bizarras é uma atitude comum e necessária, pois transforma a vida no que ela realmente deveria ser: algo belo, não como contrário de feio, mas como contrário de desarrumado. Algo organizado, contruído de maneira que o leitor adimire-se com o texto, e que isso marque profundamente os poucos segundos de leitura. Alguns poucos, talvez, marcar uma vida, mas exceções, exceções. 

É, leitores, vocês ainda vão ver, vão sim. Vão ver o que um poeta pode fazer com a vida. Sempre vão ver. Queira ou não, você vai ver.

18.5.09

Ele rimava e mimava, ela sorria e miava. Sadia conversa, amada imersa num profundo amor platônico. Dispersa, obtusa, confusa.

Revolução

Veja você mesmo. Vivo nesse mundo vil, valendo uma volumosa quantidade de valores, sem saber o que vai ou vem; visamos a continuação desse venenoso mas dócil, mundo. Você, que visa viver sobre uma enorme quantidade de valores, não vê a vitória da escória venosa, que vacinada contra a voracidade de si própria, cresce verticalmente vívida, em um universo sem voz e sem visão. A doze dos fracos vaza a cada momento passado, e a verdade vela-se sobre um manto volátil e perspicaz. Um manto filho da sua própria voz e de sua própria virilidade. Você, homem vil, e sua avareza, bebeu de seu próprio sangue viscoso, que cada dia envenena esse grande corpo que tornaras-te. Somente os sóbrios paracem entender a sociedade corrompida, sublime nessa solidão pouco suave, e pouco sucinta. Essa arte que nos permite falar, cedeu também à sonseza social, à simples incapacidade de impor-se. A nós, poetas, coube a vivificação dessa vildade e vilanesa causada somente e unicamente pelas próprias mãos sociais. As mãos de um complexo homem, que sem nexo, ruma aversivo contra si mesmo, assumindo posto de superior e inferior, como vilão e vítima. Porém, nós poetas, podados de sua propriedade pacificadora, pousamos junto a você sob esse mundo pobre de poder, pacificados nessa porosidade de vida. Viu-se à pouco, que cabe à estes mesmos poetas a compreensão do mundo e a revolução deste circulo vicioso. Vês? Não é aos normais que o mundo deve sucumbir, é aos mesmos loucos, que domados pela vilanidade social, velados, sem vida nem voz, vivem outro mundo. E este outro mundo, leitor, é o mundo que conflitará, um dia, na destruição do Caos criado. Vês? É o um novo Caos que deve destruir um caos instalado, para que, o caos instalado seja descaotiquizado, e assim, tornando-se ordem. A ordem é submissa ao caos, pois este à precede e à sucede, é este que devemos compreender, para que possa-se compreender e ordenar o universo. Ao caos devemos sucumbir, e à ele devemos demandar ordem.
Antes de julgar o universo, devemos confundir à todos, para quebrar as barreiras caóticas e erradas pré-instaladas, para que o universo possa-se reorganizar-se em um novo caos, menos hostil e menos venenoso. Vês? Aqui jáz um decreto único e exclusivo: Sem revolução, o homem morre. Sem viravoltas, a vida devota-se à morte. Vivemos em um caos instalado, devemos voltar à uma vida mais voraz, e vil, para que o veneno seja vertido, e que sangue pare de verter-se. Devemos dar voz às vítimas, e às divindades devolvidas. Devemos viver em direção ao caos, para voltar. Sem caos, sem revolução, sem vida.
Aqui jaz um juramento: Se não tivermos uma revolução logo, vamos morrer. Você, eu, tudo verás em vão, e a vitória será de ninguém.
Mas, não vamos ser tão negativos, pois veremos em breve, uma revolução.
Mas sem marxismo. Se a comunidade não puder chegar às mesmas conclusões que cheguei, portanto, se continuarmos com tão pouca educação, como então, revolucionar?
Essa questão, não é vinda de dentro, mas é vinda de fora. Não é única, não tem resposta. A resposta? 

Poesia precede a Ação. A Ação precede a Poesia.
O fim é uma pequena parte do todo.