Em vista dos seus planos
Tudo há de afundar.
Os mundos urbanos,
E tudo daquele lugar.
Quando você viajar,
Esses pensamentos humanos
Irão destruir o linguajar.
As idéias que hoje fluem
de pensamentos mundanos
Resolvem a equação, concluem,
Como um rajar.
Você, humano sombrio,
Sabe teu destino.
É comer a comida do prato frio,
Um prato deveras fino.
Teu saber corrói a humanidade,
Tua vida desboca num vale profundo.
Teu medo faz que te sujes de promiscuidade
E te lambes, achando te limpar de algo imundo.
Essa vontade que tu tens de fugir,
Desses planos lodosos e limosos,
É por que foges daquilo que fizeste rugir;
É por que verteste os líquidos viscosos.
Fujas, fujas preste mundo que te persegue,
Não almeje nenhum tipo de sofrimento.
Esses planos que tua mente segue
São papéis jogados ao vento.
Esse sofrimento que te amedronta
Essa solidão que tu enfrentas
Essa rouquidão que te confronta
Dia-a-dia, sempre que tu tentas;
Sempre que tu tentas falar,
sempre que tentas reagir
Sempre que tu vês amar
o antigo amor que abandonaste a autofagir.
A resposta não vem com o vento
A resposta não vem com o amor
Da resposta, estás isento
Da resposta resta apenas o calor.
Divagarás por esse mundo, perplexo
Sem caminho a trilhar
Não, tu pensas, nada tem nexo
O poeta continua a te humilhar.
Essa angústia em ti presente
Essa angústia a te calar
Essa angústia é o medo do ausente
Do calor materno a te acalmar
Que esperas de um mundo como este?
Um poeta chame-te por "vós"
Um poeta declama-te em voz
Uma realidade clara que escureceste.
Os sintomas continuarão a surgir
Dores de cabeça, gripes, virus
Tirar-te do real à regurgir;
Tudo que vomitar para os gabirus
Tudo irá para os papiros.
Tua mente há de explodir
Teu corpo não comporta teus limites
Voa, ovo a eclodir
Voa pra que teu coração palpite
Não seguirás ileso esse caminho que caminhas.
Mesmo que vejas a curva do rio
Mesmo que sinta as tortas linhas a fio
Inudarás-te de sangue faunoso e frio.
Que fim hei de chegar, leitores?
Mesmo que tentasse ser cuidadoso
Chegaria aos mesmos valores
O mundo é cruel e perigoso
Não é qualquer um que se verte aos amores,
Não é qualquer um que se cega sem corpo rugoso
Não é qualquer um que sorri com as dores
Não é qualquer um que não fica raivoso
Com a falta de cores do mundo poroso.
Se basta pra ti sorrir ao belo carnal
É o que basta pra um poeta dizer-te:
A ânsia pelo sexo plural
É ânsia pura, tua maneira de viver-te.
Que angústia é essa que domina-te?
Ela passa?